quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Construtores da Língua Portuguesa: Fernão Lopes

por Cláudia S.

Fernão Lopes foi um cronista-historiador do século XIV, que terá nascido em Lisboa entre 1380 e 1390, data início de uma das épocas mais importantes da história de Portugal que conduziria à crise de 1383-1385 e terá falecido em 1460. Escrivão de D. João I, foi nomeado guarda-mor das escrituras da Torre do Tombo, cargo que desempenhou também nos reinados seguintes de D. Duarte, D. Pedro e de D. Afonso V. Os documentos mais antigos, onde consta a sua assinatura, datam de 1418. Em 1419 o Infante D. Duarte incumbe-lhe a tarefa de pôr em livro a história dos sete primeiros reis de Portugal. No prólogo da crónica dedicada a D. Pedro I podemos compreender o seu pensamento sobre o poder temporal, revelando preocupações com o exercício da justiça: "estabelecido por serem os maus castigados e os bons viverem em paz".



A sua principal obra foi a crónica de D. João I, onde o cronista descreve com grande vivacidade e fervor as movimentações do povo em defesa de Lisboa, na altura do cerco por parte dos Castelhanos. Na crónica de D. João I podemos perceber a tese da soberania inicial do povo, que expressa o direito que lhe assiste de avocar a soberania, uma vez quebrada a linha de sucessão direta, como veio a suceder com a morte do rei D. Fernando e com a eleição do mestre de Avis.
 

As suas crónicas, para além de constituírem documentos autênticos sobre factos históricos, revelam um trabalho linguístico que foi determinante no desenvolvimento da Língua Portuguesa, em termos lexicais, sintáticos e semânticos. Graças à pena de Fernão Lopes, o Português escrito pode evoluir, encontrar novas formas de dizer por escrito que enriqueceram e contribuíram para a consolidação de uma gramática da Língua Portuguesa.

 
Os seus méritos no desempenho do cargo de Guarda-Mor da Torre do Tombo mereceram o reconhecimento de D. Duarte que o distinguiu com uma tença de 14.000 réis anuais e carta de nobreza. É já em idade avançada que é substituído por Gomes Eanes de Zurara no cargo que o ligou para sempre aos construtores da Língua Portuguesa e à Torre do Tombo.

E da sua história de vida retiramos, pelo menos, um ensinamento:
Para progredirmos, só temos dois caminhos: ou o esforço, ou o esforço.

Fonte: http://coloquio.gulbenkian.pt/bib/sirius.exe/do?bibrecord&id=PT.FCG.RCL.ILU.3781.2
 
 
Fontes de consulta:
Nota: imagens retiradas da net

 

domingo, 19 de janeiro de 2014

Eugénio de Andrade (19 janeiro -13 de junho)

Urgentemente

É urgente o amor,
É urgente um barco no mar.

É urgente destruir certas palavras,
ódio, solidão e crueldade,  alguns lamentos, muitas espadas.

 É urgente inventar alegria,
 multiplicar os beijos, as searas,
 é urgente descobrir rosas e rios
 e manhãs claras.

 Cai o silêncio nos ombros e a luz
 impura, até doer.
 É urgente o amor, é urgente
 permanecer.
 
Eugénio de Andrade, in Até Amanhã

A Universidade de Coimbra

por Helena  Batista

A Universidade de Coimbra, sob o lema de “símbolo de uma cultura que teve impacto na humanidade", foi classificada pela UNESCO, no dia 22 de Junho de 2013, Património Mundial da Humanidade. Fundada em 1290 pelo rei D. Dinis, nela se iniciaram em Portugal os primeiros estudos em Artes, Leis, Cânones e Medicina, oferecendo às classes privilegiadas, os estudos necessários para o desenvolvimento do país. Hoje, organizada em oito faculdades, a Universidade de Coimbra oferece todos os graus académicos (arquitetura, educação, engenharia, humanidades, direito, matemática, medicina, ciências naturais, psicologia, ciências sociais e desporto).


Na década de 6o do século XIX, a Universidade de Coimbra foi palco de controvérsias ideológicas, que colocaram em confronto o velho Portugal com as ideias novas que se faziam sentir pela Europa moderna e que viriam a contribuir para o debate sobre o Ensino e a Educação em Portugal, nas célebres conferências do Casino em Lisboa. Eça de Queirós, Antero de Quental e Ramalho Ortigão foram algumas das figuras que se destacaram nesta polémica, que acabou por ser silenciada, com o encerramento das conferências por ordem do poder real.

Célebre pelas tradições académicas, na Universidade de Coimbra se desenvolveram as primeiras Tunas, que remontam a 1888, por onde têm passado vozes e músicos célebres como José Afonso, Artur Paredes e Luís Goes. Estes agrupamentos musicais que se distinguem pela guitarra e pelo canto divulgam o espírito da cidade de Coimbra que é fortemente marcado pela saudade.


Da Universidade de Coimbra faz parte a Biblioteca Joanina, construída no século XVIII, sobre um espaço prisão que foi cárcere do Paço Real, sendo considerada “o casamento perfeito entre o saber e a arte”, segundo Carlos Fiolhais.
 
 
Situada no Palácio das Escolas da Universidade de Coimbra, no pátio da Faculdade de Direito, a Biblioteca Joanina foi construída sob a égide do rei D. João V, em 1717, que também mandou erigir o Convento de Mafra, monumento que também integra uma imponente biblioteca, não poupando meios para nelas concentrar todo o esplendor da arte barroca. Um espaço riquíssimo, decorado a ouro, onde os morcegos encontram alimento e ajudam a conservar a memória dos autores antigos que são os livros.
 

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Construtores da Língua Portuguesa - D. Dinis

por Cláudia Simões
 
D. Dinis já nos mereceu um post com um conto da autoria da Joana Felício, no entanto, o carisma deste rei merece que o destaquemos nesta rubrica que criámos, para lembrar personalidades da nossa cultura que tiveram um contributo relevante para o desenvolvimento da Língua Portuguesa.
 
 
D. DINIS        
              
Na noite escreve um seu Cantar de Amigo
O plantador de naus a haver,
E ouve um silêncio múrmuro consigo:
É o rumor dos pinhais que, como um trigo
De Império, ondulam sem se poder ver.
                               
Arroio, esse cantar, jovem e puro,
Busca o oceano por achar;
E a fala dos pinhais, marulho obscuro,
É o som presente desse mar futuro,
É a voz da terra ansiando pelo mar.
 
in Mensagem de Fernando Pessoa
 
D. Dinis  (1261-1325) é uma figura ímpar na História de Portugal. Com o cognome de O Lavrador, foi o sexto rei na lista dos reis de Portugal que se destacou não apenas porque foi rei, mas pela sua ação empenhada no desenvolvimento de país, numa altura em que muito havia ainda a fazer para consolidar a nacionalidade portuguesa. Num tempo em que a Língua dominante era o Galego-português, D. Dinis instituiu a Língua Portuguesa como Língua oficial da corte e criou, em 1290, a primeira Universidade em Portugal, reconhecida como uma das mais antigas do mundo, a Universidade de Coimbra.

O gosto pela cultura fez também de D. Dinis um poeta exímio na arte de trovar, tendo legado como herança ao seu povo um valor inestimável em poesia que se encontra hoje guardada nos célebres Cancioneiros. Sem D. Dinis, a Literatura Portuguesa seria bem mais pobre e a arte de trovar não seria a mesma, ainda que sejam muitos os autores de poesia Galego-portuguesa de origem portuguesa. Mas D. Dinis era um rei que teria uma visão do mundo que ia muito para além dos salões do seu palácio. Amante da Natureza, cantou o amor nas várias tonalidades, em versos de amor e de amigo, num diálogo ritmado pelos apelos da Natureza. Na época, D. Dinis teria oportunidade de apreciar belíssimas paisagens naturais, uma vez que as autoestradas, as cidades, os outlet e as fábricas ainda não haviam destruído a floresta e a fauna no território português. Por outro lado, valorizou o conhecimento ao inaugurar a primeira Universidade, com os Estudos Gerais.

 Mas a ação deste rei não ficou por aqui. Visionário e de espírito empreendedor, ficou também célebre por ter mandado plantar o pinhal de Leiria, com a finalidade de proteger as dunas e de impedir a destruição de terrenos agrícolas. Os benefícios da plantação deste pinhal projetaram-se ao longo dos tempos, contribuindo para que Leiria crescesse em indústrias (naval, metalúrgica, vidreira, construção civil). Nos séculos XIV, XV e XVI o pinhal de Leiria forneceu a madeira necessária à construção das caravelas que permitiram a Portugal o pioneirismo na aventura marítima. Talvez já com uma antevisão do futuro, fundou a Marinha Portuguesa e mandou construir várias docas.

A sua ação expandiu-se ainda no fomento de medidas político-económicas e militares que contribuíram para fortalecer Portugal aos olhos do mundo. Libertou as Ordens Militares de influências estrangeiras e ordenou a exploração de minas de cobre, prata, estanho e ferro e incentivou a exportação de produtos.
D. Dinis, rei de Portugal e dos Algarves, o homem que casou com a rainha que, na boca do povo, ficou conhecida como santa, a rainha Santa Isabel que nos deu também o Milagre das Rosas! Fernando Pessoa, na sua obra Mensagem, viu em D. Dinis o poeta visionário, empreendedor de futuros, no poema que transcrevemos em cima, e Luís de Camões destacou também este grande rei pela sua ação de valorização da pátria, nos planos político e cultural.
 
 
 
96
Eis depois vem Dinis, que bem parece
Do bravo Afonso estirpe nobre e dina,
Com quem a fama grande se escurece
Da liberalidade Alexandrina.
Com este o Reino próspero floresce
(Alcançada já a paz áurea divina)
Em constituições, leis e costumes,
Na terra já tranquila claros lumes.

97
Fez primeiro em Coimbra exercitar-se
O valeroso ofício de Minerva;
E de Helicona as Musas fez passar-se
A pisar do Monde-o a fértil erva.
Quanto pode de Atenas desejar-se,
Tudo o soberbo Apolo aqui reserva.
Aqui as capelas dá tecidas de ouro,
Do bácaro e do sempre verde louro.

98
Nobres vilas de novo edificou
Fortalezas, castelos mui seguros,
E quase o Reino todo reformou
Com edifícios grandes, e altos muros.
Mas depois que a dura Átropos cortou
O fio de seus dias já maduros,
Ficou-lhe o filho pouco obediente,
Quarto Afonso, mas forte e excelente.
Os Lusíadas. canto III. Luís Vaz de Camões

Cantiga de amigo interpretada por José Mário Branco, da autoria de D. Dinis,
Levantou-s'a velida:
 

Fontes de consulta:
 
 

domingo, 12 de janeiro de 2014

Eternidade e Desejo de Inês Pedrosa

     "Longe de ti estou mais perto de ti - meu querido Sebastião, vamos mesmo ter de viver separados. Porque eu sou daqui, do Brasil - sou deste odor violento a floresta e mar, desta melancolia urbana excessivamente quente e perigosa, desta língua portuguesa lenta e lúbrica, deste baile de gerúndios mergulhado nos compassos do presente. O Brasil é o hoje vertical: todas as misérias do passado e as esperanças do futuro se aglutinam na experiência do momento presente. Eu sou desta mestiçagem mais potente do que toda a História, tu és da História, com princípio meio e fim.
      Eu não quero viajar mais, não posso viajar mais - tudo o que tenho para ver está dentro de mim."
in Eternidade e Desejo, de Inês Pedrosa


Clara é a protagonista e a narradora deste romance de Inês Pedrosa, que, nos primórdios do século XXI, desiludida com o contexto social e político do seu país e marcada pela experiência de um amor frustrado e que a conduzira à cegueira, descobre nas palavras de Vieira o apelo e o rastilho para a compreensão de si, o que a levará ao Brasil, espaço onde a narradora encontra a libertação de tudo o que a atormentava no seu país. No Brasil conhece mais de perto não só a obra de Vieira que vai lembrando e comentando, como se as palavras de Vieira tivessem sido escritas para o futuro, como também vive a experiência do amor como uma catarse que lhe permite livrar-se dos males que parecem endemia no seu país. Sebastião, a personagem a quem se dirige num tom confessionalista e com quem troca correspondência, está ligado ao passado e ao espaço de que Clara se quer libertar. Para Clara, Portugal parece ser um país onde o amor é impossível, porque a matéria de que ele é feito, como escreveu Camões, faz parte do adiado: "E o vivo e puro amor de que sou feito / Como a matéria simples buca a forma." (Camões, in Sonetos)

sábado, 11 de janeiro de 2014

Construtores da Língua Portuguesa - Padre António Vieira


por Helena Batista
                                           
«um país que tem à sua disposição um criador como Vieira devia proteger a língua em que ele escreveu e divulgá-lo mais junto dos seus»     
                           
Francisco José Viegas in Correio da Manhã de 06.02.2013



Filho peninsular e tropical
De Inácio de Loiola,
Aluno do Bandarra
E mestre
De Fernando Pessoa,
No Quinto Império que sonhou, sonhava
O homem lusitano
À medida do mundo.
E foi ele o primeiro.
Original
No seu ser universal...
Misto de génio, mago e aventureiro.

                           Miguel Torga

Pessoa chamou-lhe o Imperador da Língua Portuguesa. Nasceu em Lisboa, a 6 de fevereiro de 1608, e faleceu na Baía, a 18 de julho de 1697. Aos 15 anos, já na Baía, sente o apelo da vocação e entra no Colégio dos Jesuítas, onde cumpre estudos e se torna missionário. A sua biografia revela um lutador incansável pelos direitos humanos, tendo-se destacado na sua ação junto da Corte de D. João IV, enquanto pregador régio e defensor do fim da escravatura, exercida pelos colonos, aos ameríndios. Em nome da libertação dos índios e contra os colonizadores europeus no Brasil, encetou várias viagens pela Europa, sempre apoiado pelo rei D. João IV.


Ficou famosa também a sua luta pelo fim da distinção entre cristão novos e cristãos velhos e a sua proposta ao rei para que incentivasse os judeus abastados e foragidos a regressarem ao país, para que ajudassem a balança portuguesa com as suas divisas. A sua luta valeu-lhe a crescimento de ódios, sobretudo no seio da igreja, o que viria a contribuir para a sua detenção, pela Santa Inquisição, após a morte do rei amigo, D. João IV, em Dezembro de 1667. Libertado em 1668, parte para Roma, onde continua a lutar contra as injustiças do Santo Ofício. Regressa a Portugal em 1681 e escolhe o Brasil para terminar a sua vida, organizando a sua vasta obra escrita. Os seus sermões encheram igrejas, nomeadamente a igreja de São Roque, em Lisboa. Em segredo, salvaguardando-se das teias da Inquisição, escreve um livro onde expõe o seu grande sonho, o sonho do Quinto Império, inspirado nas trovas de Bandarra, e que virá a ser retomado por Fernando Pessoa na sua obra Mensagem.
 

Nota: imagens retiradas do Google

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Histórias em Português: Ai flores, Ai flores...

por Joana Felício

 Fechou os olhos e absorveu os sons, os cheiros e os sabores que decoravam o salão. A mesa à sua frente, coberta de todas as comidas, era rodeada pelos seus amigos, a sua nobreza e, ao seu lado, a mais bela das rainhas, a tez pura e o espírito limpo, emanando uma aura de felicidade e amor com cheiro a rosas. Pela janela, conseguia ouvir o outono a passar, voando com as flores que fugiam da terra que as prendia. Sobrevoariam juntos os mares e retornariam a Portugal com as novas do mundo.
  Entrou então um homem alto, acompanhado de um rapazinho saltitante e expectante, com uma viola na mão, jovem e firme. Instalaram-se no centro da sala, virados para o Rei, e, durante um minuto, nenhum outro som se fez ouvir à canção que se juntava à melodia tocada pela viola do rapaz, uma tapeçaria uniforme e elegante que ninguém se atrevia a difamar:
-Ai flores, ai flores do verde pino,
se sabedes novas do meu amigo!
     Ai Deus, e u é?

Ai, flores, ai flores do verde ramo,
se sabedes novas do meu amado!
     Ai Deus, e u é?

Se sabedes novas do meu amigo,
aquel que mentiu do que pos comigo!
     Ai Deus, e u é?

Se sabedes novas do meu amado
aquel que mentiu do que mi ha jurado!
     Ai Deus, e u é?

-Vós me preguntades polo voss'amigo,
e eu ben vos digo que é san'e vivo.
     Ai Deus, e u é?

Vós me preguntades polo voss'amado,
e eu ben vos digo que é viv'e sano.
     Ai Deus, e u é?

E eu ben vos digo que é san'e vivo
e seerá vosc'ant'o prazo saído.
     Ai Deus, e u é?

E eu ben vos digo que é viv'e sano
e seerá vosc'ant'o prazo passado.
     Ai Deus, e u é?

  Conseguia ver as imagens que se desenrolavam na sua mente, a bela rapariga que perguntava às flores pelo seu amigo, o amor que a rodeava, as cores que pintariam aquele quadro, se alguma vez fosse posto numa tela.
  Foi assim que, imaginando aquele momento, imaginou as suas próximas canções.
 

 Intérprete: Barahúnda; Canto: Helena de Alfonso (2002, Madrid)

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Dicionário de Arabismos









Um dicionário recentíssimo, que veio preencher um espaço importante para o estudo da Língua Portuguesa, da autoria de José Adalberto Coelho Alves, poeta, jurista e arabista, com inúmeras publicações nestas áreas. As entradas deste dicionário são de palavras portuguesas com étimos Árabes e inclui léxico corrente e empréstimos semânticos, toponímia e antroponímia.




terça-feira, 7 de janeiro de 2014

O vocabulário de origem Árabe

por Cláudia, Helena e Joana

O legado de influência Árabe na cultura portuguesa é riquíssimo, apesar de tantas vezes ignorado. Um povo muito evoluído para a época, os Árabes trouxeram com eles conhecimentos muito desenvolvidos relativos às ciências, à astronomia, à aritmética, à agricultura, à alimentação e à arquitetura. Muitas palavras da toponímia portuguesa iniciam por al- o que é um sinal da presença Árabe no território português. É curioso como os Árabes nos legaram apenas cerca de 500 palavras, aquando da sua invasão, no século VIII dC, e ainda hoje continuamos a utilizar a maior parte delas, como comenta o Professor Ivo de Castro, para além de outras curiosidades, no curto vídeo que aqui deixamos:
 

A Língua Portuguesa, uma Língua Multicultural

por Cláudia, Helena e Joana

A Língua Portuguesa é importante, antes de mais, porque é através dela que exprimimos tudo o que pensamos, sentimos, sonhamos e é com ela que interagimos com os outros. Não nos conseguimos imaginar sem uma Língua para comunicar, pois ela está presente em tudo o que fazemos e somos e os gestos e os sons não chegariam nunca para nos revelarmos e partirmos à aventura em direção à Índia e à América como aconteceu no Renascimento. Cremos que é essa a ideia que Fernando Pessoa nos quis transmitir quando afirmou que "A minha pátria é a Língua Portuguesa".
Nuno Gonçalves (1470-1480), Painéis de São Vicente de Fora

Crescemos em Língua Portuguesa e fomos moldados em Língua Portuguesa e é pensando em Língua Portuguesa que desbravamos o mundo e aprendemos outras Línguas. 

Terá sido assim também que fomos construindo uma Língua com 800 anos de História, a História de Portugal, e que continua a crescer. No 9º Ano aprendemos que o Latim é a base da raiz da Língua Portuguesa. Porém, há muitas marcas linguísticas de outros povos que ilustram que falamos uma língua multicultural, na sua raiz e no processo de evolução, e multicontinental, porque é língua oficial em quatro Continentes e ensinada e falada em todos os Continentes. Ou os Celtiberos não teriam deixado vocabulários aos Romanos que invadiram  e se fixaram na Península Ibérica no século II aC.? E os Romanos, influenciados pelos Gregos, não trariam, no seu vocabulário, tantas marcas do vocabulário Grego? E, depois dos Romanos, os povos Germânicos, no séc. V, e depois destes os Árabes, no século VIII? E, depois da formação de Portugal, tudo o que aprendemos com as trocas comerciais e culturais que se foram desenvolvendo com a Expansão Marítima? E as influências do vocabulário francês, que tomámos como moda no tempo de Eça de Queirós? E todo o vocabulário que continuamos a importar e a recriar e que reflete o mundo cada vez mais global em que vivemos, com palavras como domótica, portal da net, twitar, navegar no site ou email, sms, link, rap e muitas outras?


Vejamos alguns exemplos de vocabulário e suas raízes:
 
ibérico - abóbora, cama, manteiga;
céltico - camisa, cerveja, gato;
grego - guitarra, telescópio, telefone;
germânico - guerra, trégua, arauto;
árabe - alface, álcool, alaúde e tantas outras palavras iniciadas por al-;
castelhanismos - castanhola, caudilho, galã;
galicismos - chefe, hotel, abat-jour;
inglês - futebol, sanduiche, bife;
Italiano - adágio, serenata, piano;´
alemão - valsa, manequim, vermute.
 
Para saber mais sobre a História da Língua Portuguesa: